O governador de Roraima e candidato à reeleição, Anchieta Júnior (PSDB), foi abordado hoje por agentes da Polícia Federal, em Boa Vista. A ação causou tumulto, uma vez que seguranças dele e agentes federais apontaram armas uns para os outros, no centro da cidade, perto do Palácio do Governo. 
A Polícia Federal afirma que investigava uma denúncia de transporte ilegal de dinheiro para compra de voto e que não sabia que o governador estava em um dos veículos. O carro em que Anchieta estava e outro veículo onde estavam seus seguranças foram revistados pelos policiais. Nenhuma irregularidade foi constada e nenhuma pessoa foi detida.
Mesmo assim, a ação policial foi suficiente para acirrar os ânimos. Cerca de 200 pessoas, entre correligionários de Anchieta e do candidato de oposição, Neudo Campos (PP), foram para a frente do prédio da Superintendência da Polícia Federal em Roraima, onde realizaram protestos. Três pessoas foram detidas sob a suspeita de causar tumulto a ordem pública e em seguida foram liberadas.
Tanto o superintendente da PF-RR, Herbert Gasparini, quanto o governador Anchieta Júnior minimizaram o episódio em entrevistas concedidas a imprensa. O fato de os agentes federais e de seguranças empunharem armas foi tido como "normal".
"Foi uma fiscalização, como foi sempre feita pela PF. Nós tínhamos um informe de que um carro com as mesmas características do que foi fiscalizado tinha irregularidades. Ninguém sabia que o governador estava no carro, mesmo porque ele tem o carro dele, que é oficial, e este [alvo da fiscalização] tinha propaganda política", disse Gasparini.
Anchieta disse que a ação foi uma abordagem de rotina e que essa era a quarta vez em que era revistado pela PF. Ao mesmo tempo, acusou o grupo de oposição de criar fatos políticos negativos contra sua campanha.
"A ação foi imparcial. A Polícia Federal é uma instituição séria, que eu respeito e com certeza estava investigando denúncia que considero infundada, pois não tenho dúvida de que nossa oposição quer criar tumulto, para atrapalhar o processo eleitoral", disse.
Apesar disso, o governador afirmou que "não acha natural um governador ser revistado". "É um processo eleitoral atípico. Nunca tínhamos visto como essa dimensão", declarou.
Fonte:
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Tenho um grande amigo, também candidato a PF, do estado de Roraima, o Amaro Rocha. Até o convidei a escrever sobre o assunto aqui, mas ele disse que eu é que deveria falar, uma vez que ele seria "parcial" no seu discurso. Ouvindo a história política do estado, do governado e da PF no estado, narrada por meu amigo, fui procurando ter uma imagem, construindo uma opinião sobre o todo, para não ser superficial.
Não tenho palavras pra descrever o tamanho da minha
indignação ao ler a notícia, ainda nessa semana. Fui tomado de um profundo sentimento de revolta, ódio mesmo, contra diversos pontos da notícia: governador indignado por ser abordado pela PF, pessoas manifestando-se CONTRA a PF, acusações infundadas sobre a PF está fazendo jogo político, entre outras coisas.
A primeira coisa que tirou do sério, sem dúvida, foi a
reação a notícia. Rapidamente divulgada nos meios midiáticos, a notícia soava como uma
"afronta" ao
"digníssimo" governador. Não que o mesmo já tivesse se manifestado a respeito (a posição do mesmo viria mais tarde, vejam
AQUI), mostrando-se então tranquilo, dizendo que a PF só tinha feito o trabalho dela, que não se importava, etc., embora claramente não seja essa a reação que observamos nas fotos acima, mas essa é outra questão. O que de fato me irritou foi o fato de colocarem o governador na posição de "intocável", exatamente como no filme sobre a máfia (se é que me entendem...).
Afinal, ele é melhor do que QUEM, para não ser abordado por agentes da lei, tendo seus direitos garantidos e tudo o mais?O superintendente da PF em Roraima, Dr. Herbert Gasparini, afirmou que não sabido quem se encontrava nos veículos. Fique tranquilo, doutor! Afinal, se fosse sabido ser o governador no carro, a abordagem não seria feita? Espero que não, que fosse feita assim mesmo. Afinal, se não a Polícia Federal, polícia judiciária da União, quem é que averiguaria a denúncia? A Polícia Civil estadual, que por sinal tem na figura do suspeito o seu chefe? Obviamente, não.
Mais impressionante é a
reação popular. O povo foi protestar
CONTRA a atuação da PF! Dá para acreditar no nível da ignorância? Não estou dizendo que são ignorantes por serem partidários do governador (talvez sejam mesmo), mas estou dizendo que são ignorantes pela postura absurda, pra não dizer idiota. Protestar pelo fato da polícia trabalhar? Protestar para se garantir o
LEGÍTIMO processo eleitoral, sem fraudes ou compra de votos? Protestar por abordarem o chefe do executivo estadual, como se fosse um absurdo?
Vi algumas pessoas comentando que a Polícia Federal estava sendo usada como manobra política. Talvez. Não vou dizer que a PF está livre disso pois, afinal, tem chefes, como a maioria de nós. No entanto, é algo bem pertinente, não? Uma bela saída pela tangente. Afinal, questionar a atuação da Polícia Federal, uma das instituições mais respeitadas do país, é bem mais fácil do que jogar limpo com o povo, não? Me pergunto: se o caso não tivesse rompido as divisas estaduais, será que as coisas não teriam sido diferentes? O governador sendo mais enérgico em sua posição, o superintendente de PF menos ponderado ao defender a legalidade do seu trabalho, o povo aclamando com ainda mais fervor a corja de corruptos do Estado... Lembrando também que o citado governador não tem ficha limpa não.
Penso também na situação da região Norte do país, correndo o risco de falar bobagem. Por não estar sempre na mídia (pelo menos não na do sudeste), as coisas ficam muitos restritam aos âmbitos estaduais e regionais, inclusive a política(gem). Dou graças por termos órgãos como a
Polícia Federal, para salvaguarda a
democracia e a legalidade em lugares como o Estado de Roraima.
Todas as minhas críticas terminam duras, emotivas e secas. Algumas (por que não?) equivocadas, até. A maioria soando como desabafo, pra ser sincero, e talvez de fato seja mesmo. Me pego pensando o tempo todo no rumo das coisas e fico com medo, de verdade. Nos deparamos as vezes com coisas tão absurdas que não sabemos se rimos ou se choramos.
Nesse caso, em específico, rio. Pois um dia, posso ser eu o próximo a abordar um governador numa região inóspita no norte do Brasil. E quando assim o fizer, não vou abaixar minha cabeça, pois tenho certeza que estarei no estrito cumprimento do meu dever legal.
Rumo à Polícia Federal!