Persistência e determinação


"Um guerreiro é comparado ao aço. Sua disciplina assemelha-se à disciplina do metal que, para ser forjado, requer fogo, água e muitos golpes de marreta. [...] No treinamento policial, o fogo representa o preparo psicológico resultante do estresse imposto durante o treinamento. A água é a frieza e solidão à qual será submetido o aluno. Os golpes de marreta representam a superação física e proporcionam a quebra de barreiras psicológicas que, juntamente, com o elemento fogo, expandem a compreensão do possível a um ponto antes não imaginado."

Eduardo Betini

domingo, 7 de julho de 2013

O momento certo.

Diversas são as pessoas nas quais eu vi, e continuo vendo, desânimo. Cansaço, infelicidades... inúmeras são as reclamações. E eu não tiro a razão delas. É uma estrada difícil, o caminho de concursos, principalmente quando você persegue um sonho, um objetivo. Eu mesmo estou chegando no limite corporal e mental. Mas cá estou para lembrá-los das coisas que fizeram nós começarmos. Cá estou para manter acesa a chama da esperança.

Um homem uma vez me disse que a melhor maneira de aprender é perdendo. Na época em que eu vi isso, eu era orgulhoso, e não compreendi o que o velho disse. Hoje eu dou graças a Deus de ter ouvido aquela frase. Veja, quando ele disse “perder”, ele não disse no sentido negativo. A derrota é apenas um modo de ver as coisas. É relativa. No caminho de um vencedor, não existem derrotas. Existe apenas aprendizado. Experiência. Então, acredite, a “derrota” te faz um vencedor a cada experiência. A cada lágrima que cai dos seus olhos, é o seu corpo se adaptando, ganhando uma quantidade incontável de fé, persistência, ganhando vida.
No começo eu procurava a vitória, procurava o meu lugar no Sol. Corria, sem descanso. Veja, eu não procurava a luta, eu procurava a vitória. Foi quando eu percebi que eu só poderia ter meu lugar depois de muito esforço. Comecei a olhar para trás, analisando meus rastros e percebendo onde eu havia errado. Então mudei, e procurei apenas olhar para estrada. Eu deixei de procurar o Sol, e procurei com mais intensidade o trabalho, o labor. Não me entendam mal, eu nunca deixei de lutar. Só comecei a olhar pra o meu objetivo com outros olhos, com outro olhar.

E então, num bar, conversando com um estranho, ele me disse: “Veja, você toma o seu trono? Não, você só consegue obtê-lo se for digno para tal coisa! Não se trata de ser mais forte ou mais fraco, e sim se você merece ou não, se você está preparado ou não!”. Foi então que eu me toquei, finalmente, do que acontecia, de como o mundo andava. Tudo é um ciclo. Sim, podemos dizer “destino”. Mas destino esse forjado, moldado por nossas ações. Com um simplório toque do Senhor. “Eu vou lutar incansavelmente, mas somente receberei o que eu quero quando estiver preparado, quando Deus achar que chegou a minha hora”. É, eu continuei lutando, me esforçando. E uma hora cansa, não é?

Sim, cansa. Não somos de aço, infelizmente.  Somos humanos, com desejos, aflições, medos. Como continuar numa estrada, sem destino certo, com força 100%? Sim, nós não sabemos quando irá acabar... Fazer concurso para a polícia já é um treino, um preparo por si só. E continuar nisso é cansativo. No momento em que suas forças se esgotam, você volta o olhar para o céu procurando respostas. E eu vou dizer a que eu recebi.

Tudo isso, toda essa jornada, esse preparo, possui uma razão. Nada nessa vida é por acaso. O estudo incansável serve para você se tornar o melhor. Mostrar para a banca que você possui conhecimento e está pronto. Mostrar que você entende do assunto e não está ali para “brincar de polícia”. O teste físico? Como vencer um mal que não é possível enxergar? Precisamos estar preparados intelectualmente e fisicamente. Correr e lutar mais forte, sempre. Um policial precisa ser um combatente equilibrado. Você irá lidar com as mais inusitadas situações.

“Sim, mas porra, essa CESPE é impossível!”. Ok, e o que vai adiantar reclamar? Uma presa num mundo de predadores não vive reclamando. Ela se adapta e tenta de todas as forças lutar contra a maré. E no momento certo, ela deixa o cargo de “presa” e se torna “caçador”. Adapta-se com a banca e procure sempre aperfeiçoar-se.

Não é o fim. Nem estamos perto disso. O mundo possui vitórias e maravilhas porque homens e mulheres não desistiram. Quando eles caíram, não ficaram no chão. Decidiram resistir. Veja, em nenhum momento procuraram a vitória. Simplesmente resistiram, lutaram. E hoje temos o que temos graças a eles. E se você pensa em desistir, cá estou trazendo inúmeros motivos para você não o fazer.

A polícia possui imperfeições? Sim, MUITAS, então não se iluda. Se você quer lutar contra o crime e fazer a diferença, prepare-se para o pior. É cansativo? Sim. Tem um salário ruim? Sim. Mas se você quer, esse é o caminho. Trabalho duro. Vá até o limite, mas saiba recuar quando necessário. Não haverá vitória se você perder para si mesmo. Respeite sua saúde, seu corpo. Mantenha-se firme com sua família, afinal você só existe graças a eles. Poucos ficarão ao seu lado no fim. Então agarre-se a tudo isso e continue.

Se a dor está incontrolável, pare e respire. Procure Deus. Desabafe. Mas não deixe de lutar. Não deixe de perseguir seus sonhos, seus objetivos. Não faça isso com você. Você terá todos os motivos para ficar desmotivado ou desistir, seja na etapa de estudos, seja como policial. Cabe a você decidir o que aceitar: se render ou lutar. Mas lembre-se: o mundo precisa de pessoas boas para continuar.

Lute. Até o fim. Quando for a hora certa, você receberá o que merece. Deus não comete erros.

Grande abraço,


Luka Rizzieri.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Desânimo e Realidade

Tenho recebido e-mails.
Mensagens no facebook. Acho que se eu tivesse twitter, seria algo avassalador também.
Muita gente perguntando. Gente de todos os segmentos querendo saber o porque de reclamarmos, nós policiais federais, da situação atual da Polícia Federal. "Por que tanto desânimo?" perguntam.
Estão preparados?
Espero não tingir seus seus sonhos de negro.
Estamos DESESTIMULADOS SIM! E muito.
Imaginem entrar para uma Polícia Judiciária da União, depois de estudar de forma quase insana para esse concurso, tido como um dos mais difíceis do Brasil. Imagine que, após viver numa "Ilha da Fantasia" chamada Academia Nacional de Polícia, o policial é lançado em uma lotação inóspita, invariavelmente sem condições de receber sua própria família. E nessa lotação, perceberá que deverá ser muito mais criativo e voluntarioso para sobreviver, que foi ensinado na ANP.
Imagine se sentir ABANDONADO pelos gestores do Departamento de Polícia Federal, sendo obrigado a se deslocar às suas próprias expensas, pois as diárias, tão necessárias ao cumprimento das missões fora de sede são depositadas apenas DEPOIS da missão iniciada.
Este policial que vos escreve, com outros colegas, viveu o dissabor de ficar sem dinheiro para comer durante o curso especial de polícia, sendo obrigado a comer "fiado", esperando a diária cair na conta.
Imagine entrar em uma carreira prevista para durar entre 25 e 30 anos, e após 15 anos de trabalho atingir o posto mais elevado, ficando 10 anos ou mais sem a menor perspectiva de galgar degraus na carreira e, consequentemente, melhorar de vida.
Por que tantos policiais passam a deixar polícia de lado? Porque precisam cuidar das suas vidas, Porque os filhos crescem, entram na faculdade, os gastos aumentam e a perspectiva profissional dos antigões é ZERO.
Por que não fazemos prova para delegado? Porque nós gostamos de ser AGENTES, PAPILOSCOPISTAS ou ESCRIVÃES. Entramos na Polícia por ideal e não por emprego. Muitos de nós têm pós-doutorado em suas áreas de formação e, NÃO CAIAM NA GARGALHADA, somos relegados a planos inferiores, para que recém egressos das faculdades de Direito exerçam suas funções de chefia.
Um dia eu gostaria de debater isso. O que faz um bacharel em Direito ser melhor que um doutor em Física. Respeito. Mas é de difícil compreensão.
Imagine cumprir expediente de forma séria, realizar as investigações pertinentes aos inúmeros inquéritos policiais, para no final perceber que todas as diligências terão pouquíssimo ou nenhum valor na fase processual. Imagine perceber que é parte de uma engrenagem mantida arcaica para suprir a VAIDADE de poucos. Sim, digo sem medo de errar que são poucos, pois a massa dos policiais de TODOS OS CARGOS deseja que esse cenário mude.
Quando percebemos que "enxugamos gelo", que os gestores riem e brindam os nossos pés e mãos atados e DEPENDENTES da política de momento, nossos corações se enchem de um misto de tristeza e ira. Gritamos. Tentamos fazer algum barulho. Mas aí percebemos que a sociedade tem a polícia federal que merece. Pois essa sociedade não CONHECE A REALIDADE. Nem se esforça para conhecer. Contenta-se com as pirotecnias que causam a falsa impressão de que a "Polícia prende e a Justiça solta". Não é isso. definitivamente. Uma investigação otimizada realizada com seriedade não dá chances à criminosos. 
Somos policiais...agradamos à classe média quando entramos de forma avassaladora nas comunidades dominadas pelo "crime organizado"(?). E causamos asco a essa mesma classe, quando seus filhos são presos no lugar daqueles "marginais" do morro. A sociedade é muito criminosa sim. Não respeita nada. Cansei de ouvir deles: "Não dá para resolver aqui?" NÃO!! NÃO DÁ!!
De nada adianta, meus caros, as Nissans, as Glocks, as letras douradas, se os nossos corações, nós POLICIAIS FEDERAIS DO BRASIL conhecemos a NOSSA REALIDADE.
São gestores pouco sérios. Diria até que são quase humoristas. Nossa eficiência é, aos poucos, reduzida à mediocridade. Sim, infelizmente é isso.
E vocês, sociedade, classe média ou qualquer classe...enquanto não se interessarem pelo que é seu de direito, serão sempre enganados por fogos de artifício e carros de som........ainda que tenham as lendárias letras douradas.

SANDRO ARAÚJO

sábado, 5 de janeiro de 2013

Filme "Marcados para morrer" e um recado a quem interessar.

‎"Eu sou da Polícia e tô aqui pra te prender. Você violou a lei. Não fui eu quem fiz a lei. Eu posso até discordar da lei, mas vou assegurá-la. Não importa o quanto você peça, suplique, implore ou tente me convencer: nada do que você fizer ou disser vai me impedir de te colocar numa jaula com barras de ferro. 

Se você fugir, eu corro atrás. Se você me enfrentar, eu luto com você. Se atirar em mim, eu atiro de volta. 

Pela lei, eu não posso dar as costas. Sou a consequência, a cota que não foi paga. Sou o destino, com distintivo e arma. Atrás do meu distintivo tem um coração como o seu. Eu sangro, eu penso, eu amo, e também posso ser morto. E embora eu seja apenas um, tenho milhares de irmãos e irmãs iguais a mim. Eles vão arriscar a vida por mim, e eu por eles. 

Nós somos a Polícia."

Abertura do filme "Marcados para Morrer" (recomendadíssimo).

Abaixo, segue o filme completo.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ser mais do que somos

Antes um leitor agora já nos chamamos Amigos ( falo do nobre EDU e demais amigos espalhados pelo país), vendo as postagens do Meu outro amigo LUKA não resisti e me coloquei a rabiscar alguma coisa, como todos nós vou me apresentar;  Me chamo Tomazini - Logan ( um apelido quase uma identidade secreta) sou do RJ e tenho me preparado para a carreira no DPF.
Ser mais do que somos:

Algo acontece, quando buscamos no infinito possíveis respostas, onde jamais fizemos alguma pergunta. É notório querer  solucionar todos os problemas de uma só vez e com astúcia e rapidez  precipitar o movimento do próximo para que possamos ser ousados e ofuscar tal tentativa.   

O ensinar é uma dadiva que levamos a vida tentando aprender, contudo alguns seres tem de forma divina o dom  de falar e transmitir tais ensinamentos, como sabiamente as águias buscando a maior proteção para a sua ninhada, eleva seu ninho as maiores alturas, prevendo que seus predadores não consigam se aproximar.

O ser  não consegue ter todo esse instinto, mas ao longo das etapas da sua vida ele vai testando e sendo testado, ao contrario do animal  instintivo, que a cada teste nada ganha além de prolongar a sua vida. O homem enumera valores que as águias desprezam, todavia podemos evitar as mágoas que a busca por vitória, êxito e satisfação pessoal nos fazem estar tão próximos da vida animal.

E acreditar que a amizade o carinho e o amor ainda existem, porém não estamos dando a eles o devido valor, a permitir que esses sentimentos aflorem mais naturalmente nas nossas atitudes, e nos nossos passos do dia a dia.  

De certo modo sempre estaremos a buscar uma maneira de vencermos o próximo, garantindo a luta pela sobrevivência do forte sobre o mais fraco, sem sequer olharmos uma única vez para dentro de nós sem se auto defender ou pensar em si mesmo, transformando o preconceito de sobreviver em sentido para a cada dia viver melhor.

Dentro desse pensamento vou colocar o que ocorreu no continente africano:
A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.

Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

UBUNTU PARA VOCÊ!


Muitos leitores, vão entender porque compartilhamos tudo, questoes comentários, em alguns casos reuniões até tarde da noite
para um ajudar o outro a chegar ao sonho Rumo a POLICIA FEDERAL.
Aquele cordial abraço a todos!!

Tomazini "Logan"

domingo, 29 de julho de 2012

Sobre o Medo e o Herói...


Olá pessoal! Aqui é o Luka, novamente, como prometido ao meu irmão Eduardo Costa. Hoje eu deixo de lado um pouco os concursos, os estudos, para falar sobre o significado de Herói e a importância do medo. E acredite, não é uma tarefa fácil.

Ouvi da boca de um grande homem uma vez, que ele dormia e acordava com medo. E não era um homem qualquer. Era corajoso, bravo... um grande homem. Então eu me perguntava: como um homem tão impetuoso e soberano poderia conviver com o medo? Como alguém de tamanha grandeza poderia ser atingido por tal coisa? E vou mais longe: como alguém como ele, um HERÓI, convivia com o medo, assim como o dia convive com a noite, naturalmente?

Pois é, no começo eu não entendi. Confesso que isso me perturbou de tal forma, que eu preguei por muito tempo que o medo é algo inútil, que estraga nossos sonhos e atormenta nossas vidas. E ainda mais eu, que sempre tive um objetivo de me tornar um herói, como poderia conviver com o medo? Não, era inaceitável. Pra mim, o verdadeiro herói não deveria temer o medo. Pra mim, o herói era o homem intocável, sem nenhum temor, nem nada, capaz de combater qualquer tipo de força que pudesse atingir seus próximos e as outras pessoas.

E então esse homem me pegou pela mão, e me explicou o verdadeiro significado de SER HERÓI e o verdadeiro significado do Medo. Há anos, ele me apontou um pai, que levava a filha para o cabeleireiro. A filha, com 9 anos de idade, possuía câncer, e estava perdendo o cabelo. O pai levou a filha para cortar tudo de uma vez. Depois de raspar o cabelo, a criança caiu em choro, vendo-se sem o belo cabelo que tinha. O pai, olhando aquilo, pediu que raspasse o seu também. Virando-se para a filha, sem cabelo, falou para a pequena: “Viu filha? Agora eu estou tão bonito quanto você!”.

Depois, andamos pelas ruas da cidade, e paramos numa esquina. Lá, tinha um trailer, onde quatro pessoas serviam sopa e agasalhos para as pessoas das ruas. No fim, um dos desabrigados chegou para o líder do trailer e disse pra ele: “Você é um anjo da noite.” O homem, trasbordando em lágrimas, abraçou aquele desconhecido, e disse que só fazia seu trabalho...

E depois ele me marcou com algo que me tocou mais ainda. Uma foto, de um policial. O policial, numa ocorrência, fora baleado, tentando parar bandidos, e acabou falecendo logo em seguida. E eu pensei: “Deus...”. Só conseguia pensar nisso... seria um dos resultados para o que eu tanto quero? O homem me perguntou: “Você quer ser policial, não é? Você quer ter farda, arma, e glória... ou quer ajudar as pessoas?”. E aquela pergunta entrou como uma faca no meu coração. Fiquei amedrontado por meses. O medo tomou conta de mim. Eu podia morrer, escolhendo ser o que eu queria. E depois a pergunta voltou novamente: “Ou quer ajudar as pessoas?”. E foi aí que eu me dei conta. Eu estava exatamente onde eu queria estar.

Quantas vezes o medo daquele pai não tomou conta do seu coração, quando ele abraçava sua filha, sabendo que ela poderia morrer? Quantas vezes o medo não passou pela cabeça daquele senhor, sabendo que alguém poderia estar morrendo nas ruas e ele não fazia nada? Quantas vezes o medo não passou na mente daquele policial, no momento em que as balas zuniam em seu ouvido, e a morte se aproximava mais ainda? O pai fez de tudo para criar um sorriso no rosto da filha. O senhor tirou o dinheiro do bolso e deu comida aos desabrigados. O policial levantou-se e correu na direção contrária da multidão, para abater a ameaça. E isso fez deles heróis. O medo fez deles heróis.

Para você ser um herói, não precisa de uma farda, ou de um distintivo. Essas coisas serão suas ferramentas, caso queira ser um policial de verdade. Um verdadeiro herói é um pai de família, que trabalha arduamente para alimentar sua esposa e seu filho; um herói é uma mãe que mesmo com três tipos de empregos diferentes, ainda acha tempo para ir ao treino de futebol do filho; um herói de verdade é o homem na noite que dá seu casaco para uma criança se cobrir do frio.


Então, se algum dia, o medo entrar na sua vida, te impedindo de concretizar seus sonhos e objetivos, não tente afastá-lo. Aceite-o. Respire fundo, e deixe-o entrar. Apenas com o medo, você será capaz de ver o verdadeiro mundo. E com o medo, você não terá escolha, entre fazer o que precisa ser feito. O medo fará você fazer coisas que você nunca imaginou poder fazer... Sabe por quê? Porque nunca tentou. O medo é apenas o motor que irá te impulsionar para a vitória.

Não pense em desistir com o medo de falhar. Aceite o medo e siga em frente. Não importa o que você seja ou queira ser... policial, médico, bombeiro, professor, advogado, contador... Para ajudar pessoas e ter um coração repleto de bondade, você precisa apenas agir.

Assim como na antiga postagem, eu digo novamente: siga em frente. As pessoas precisam de você. O homem que me disse isso, mora lá em cima, e está esperando por nós.

Uma boa semana, galera. Força e fé!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sobre sonhos e objetivos...


Olá amigos! Quem vos fala é o Luka Rizzieri, a pedido do meu irmão Eduardo Costa. Para quebrar o gelo, hoje venho aqui falar sobre desafios, sonhos e objetivos. Assim como eu, sei que muitas pessoas aqui não passaram na primeira fase, e em outras fases, como TAF, exames etc. Vocês devem achar que eu vim aqui para dizer a vocês o seguinte, como “não desistir”, “jogar a bola pra frente”, ou coisas como “Não fique triste, é normal...”. Não, eu não vim falar sobre isso.

Hoje eu venho para parabenizar todos vocês. Seguir esse caminho não é fácil: trabalho, filhos, treinamento, estudos. Então, você já um vencedor muito antes de passar para a polícia. E vai por mim, eu sei como é ter a grande decepção. Anos de preparo psicológico, físico etc, para no “Dia D”, termos a grande decepção. E aí, o que fazer? O QUE FAZER?! Primeiramente, nós temos que nos dar o luxo de, desculpe o palavreado, “ficar na merda”. Isso mesmo! Dê-se o luxo de curtir a fossa. Chore, grite, dê umas porradas num saco de pancada, corra até o corpo arder de dor, chore no ombro da amada(o) ou procure o bar mais próximo (mas não dirija). Sério gente, isso funciona. A ficha termina de cair, você coloca pra fora todas as suas angústias, e te faz ficar preparado para voltar à ativa.

Em segundo lugar: pés no chão. Tivemos nosso primeiro tombo (ou segundo para alguns), mas isso não é o fim do mundo. No começo, eu achei também que seria, e isso foi o maior mal que me detonou na hora da prova. Eu fui fazer a avaliação achando que tinha a obrigação de passar, quando não tenho. Lembra dos estudos? O DPF é um órgão permanente, PERMANENTE, ou seja, ele não vai sair de lá. A pressão, embora seja inevitável, pode ser amenizada... como? Não sei. Disse que pode, mas eu não tenho a receita do bolo. Alguns usam o sexo, outros fazem exercícios, outros jogam vídeo game... enfim, dê seus pulos!

Terceiro: continue estudando. Nunca pare, nem que você estude uma (01) hora por dia! Se você deixar de estudar por um prazo longo, acabará desacostumando. E nem pense na possibilidade de “Ah, eu estudo faz dois anos que agora eu só preciso fazer...”. Gente, vamos ter humildade. Quando achamos que sabemos muito, na verdade não sabemos nada. A maior virtude do guerreiro é sempre se aperfeiçoar, nunca achar que é o suficiente. Treine, estude, como se fosse quebrar seus próprios limites. Se você já viu a matéria várias vezes, ótimo! Faça exercícios agora, ou faça resumos, mas nunca deixe de lado. Se você está enjoado da forma como estuda, procure outros métodos. Se você não consegue se concentrar, procure ajuda, mas não fique parado. Não dê ao diabo espaço para ele “ferrar” com sua vida.

Uma coisa que serviu para mim, e talvez possa servir para vocês... se não servir, podem ignorar. Por muito tempo, eu enxerguei o DPF como meu sonho, e ainda enxergo. Não nego, o DPF é o meu céu. Mas eu troquei “sonho” por “objetivo”. Como assim? Vou explicar. Pelo fato de eu querer tanto o DPF, esqueci de vários fatores importantíssimos: calma, paciência, e de mim mesmo. De tanto que eu me preocupava com meu sonho, esqueci de colocar os pés no chão, fui longe demais e acabei caindo. Percebi que o sonho chega na hora que tiver de chegar, que a minha parte já está sendo feita. Depois daquela prova “foda”, eu procurei deixar de lado culpar apenas a prova, a banca, e focar em melhorar a minha pessoa. Corrigir os erros, aprimorar os acertos, e dar um pouco de crédito a mim mesmo. Hoje enxergo o DPF como perfeitamente alcançável. Se todos esses camaradas conseguiram passar, por que eu não posso? Hoje ele é meu sonho, mas muito mais do que isso, é meu objetivo maior. Sem pressão, sem loucura... “relax”. (rsrssrs)

Alguns pensam em desistir. Então, diga-me, pra quê entrar na polícia? Se lá o problema vai ser dez vezes pior? Temos dezenas de possibilidades de vencer, milhares de tentativas, mas apenas uma vida. Se você quer tanto o DPF, quer tanto entrar na polícia e combater o mal, como faria se encontrasse um problema lá, na polícia? Iria desistir também? Não, pois pessoas dependem de ti. E é esse um dos meus estímulos para seguir rumo à PF: pessoas precisam de nós. O Brasil precisa de você.

Eu não sei, de fato, como é polícia, mas procurei ao máximo me informar e hoje eu sei, mais ou menos: polícia é papelada; é lidar com o pior tipo de gente na face da terra; é passar horas atrás de uma mesa; horas em plantão; polícia não é só meter o pé em porta... polícia é polícia irmão: vai ser o que precisar ser. Assim como nós. Se precisar, nós estaremos no plantão; se precisar, preencheremos a papelada; se precisar, vamos enfrentar os bandidos, políticos, traficantes, estupradores e todo tipo de raça ruim desse planeta. Mas a polícia não será nada sem você.

Por isso, irmão e irmã, meus parabéns por chegar até aqui! Respire fundo, recupere as forças, ponha-se no seu lugar... encare os fatos. Lute pela polícia. Seja DPF.

Grande abraço,

Luka Rizzieri.

sábado, 7 de julho de 2012

Redação [UPGRADE]

Olá amigos.

Peço desculpas pela minha ausência essa semana. Foram dias bastante complicados e cheios de trabalho (a "moleza" acabou... rsrs), e isso refletiu direta e indiretamente no meu trabalho aqui no blog. Até aos e-mails estou com dificuldade de responder, mas prometo que responderei todos.

Esse post é um "Upgrade" do post anterior. Como viram, ao final do post pedi para que os candidatos que tiveram acesso a suas redações corrigidas que colaborassem, se pudessem. Felizmente, ainda há bons candidatos que se preocupam com o desenvolvimento intelectual alheio e dispostos a ajudar. Abaixo, segue duas novas redações.

A primeira é da Gabriela Neves. Ela me mandou no corpo do e-mail o seguinte texto:

"Em 2009 eu fiquei no TAF (a maldita barra, que derubou grande parte da mulherada naquele ano) e sei bem como é a sensação de ser reprovado em um concurso tal almejado. Mas, como você bem colocou no seu texto, é tudo questão de aprendizagem e de preparação. Desde o tropeço em 2009, venho me preparando pro TAF até mais do que me preparei pra prova objetiva. Hoje consegui superar essa fase (fiz 4 barras nesse TAF de agora, o que pra mim parecia impossível!) e estou na expectativa pro dia 17/07! Hoje me sinto bem mais preparada tanto intelectualmente, quando físicamente, além de me sentir mais madura pra enfrentar o norte. 

(...) Tirei 12,92 e errei só uma palavra, pra não fechar os 13 pontos. 

Boa sorte nos estudos e força pra continuar na luta."


Abaixo, a redação da Gabriela:

"A Constituição Federal de 1988 atribui algumas funções à Polícia Federal, como a investigação de infrações contra bens, serviços e interesses da Administração Pública direta, das autarquias, das fundações públicas e das empresas públicas, bem como a investigação de infrações de repercussão interestaudual e que necessitem de repressão uniforme.
Durante uma operação da Polícia Civil, ocorreu a prisão em flagrande um acusado de roubos de cargas ocorridos em operações interestaduais e que precisem de repressão uniforme e, durante a prisão, o acusado ofereceu dinheiro a um policial, para que este, informalmente, a libertasse. Percebe-se que, conforme a Constituição Federal, a investigação de tal delito deve ser feita pela polícia federal, porém essa atribuição não é exclusiva, pois não frusta nem anula os atos até então feitos pela Polícia Civil, como a prisão em flagrante.
Além do crime de roubo, o preso em flagrante ainda deverá responder, conforme o código penal, por crime contra  a Administração Pública, no caso o de corrupção ativa, que foi consumado quando, no momento da prisão, o susepito ofereceu quantia em dinheiro, não influenciando, na consuma do crima, a negativa do policial. 
Apreende-se, por fim, que qualquer crime de repercussão interestadual e que necessite de repressão uniforme é de competência da Polícia Federal, porém isto não exclui a atribuição de outros órgãos. Ademais, percebe-se que um particular pode cometer crime contra a administração pública, como o crime de corrupção ativa,cometido no caso citado."

A segunda redação é do amigo Walter Pissinatti Filho. O texto que Walter mandou junto ao corpo do e-mail foi o seguinte, e serve de recado para todos os concursandos:

"Olá, fiquei interessado em enviar a minha redação para divulgação. Sei o quanto pode ser importante para auxiliar outros candidatos e futuros colegas de trabalho.
Sempre fui muito ruim em escrever texto, no colegial era sempre uma tortura conseguir concluir uma redação. Quando comecei estudar para o concurso da policia federal o meu maior medo era a redação. Como tinha muita dificuldade resolvi procurar um professor particular. Eu e mais 3 amigos começamos as aulas de portugues e redação. Fiz aproximadamente 5 meses de curso. E pra minha surpresa consegui nota máxima na redação e é por isso que resolvi divulgá-la........pois se eu consegui, qualquer um pode conseguir tbm ( eu era realmente muito ruim de redação .......)
Abraços "

Abaixo, a redação do Walter:

"Atualmente, no Brasil, o número de crimes como homicídios, tráfico de drogas e roubos vem creescendo de maneira significativa. O desenvolvimento tecnológico, infelizmente, auxilia os criminosos a egetuarem suas ações com maior eficiência e eficácia. Nesse contexto, cabe ao Estado tomar as providências necessárias para reduzir esses índices e promover a paz e o bem estar social. 
O departamento de Polícia Federal, órgão permanente e instituído em carreira tem importante parcitcipação nessa luta contra o crime. Dentre as atribuições da Polícia Federal, inclui-se a competência para investigar os delitos interestaduais que exijam repressão uniforme. No caso da situação hipotética mencionada no texto, é perfeitamente possível a participação da Polícia Federal. Além disso, por declaração expressão na Constituição de 1988, cabe à Polícia Federal combater os crimes que atentam contra os bens e interesses da União, de suas autarquias e empresas públicas e também ser responsável pelo policiamento marítimo, aeroportuário e de fronteiras.
Ainda em referência aos dados do texto, o criminoso praticou o crime de corrupção [passiva] ativa. Esse crime é [um delito] considerado pela doutrina como crime comum, pois não se exige qualidade especial do sujeito ativo, podendo ser praticado por qualquer pessoa, inclusive funcionário público, desde que não se utilize do cargo ou função pública. O crime consiste no oferecimento xxxxxxx de vantagem indevida para que funcionário público omita, retarde ou deixe de realizar ato de ofício. 
Portanto, conclui-se que a Polícia Federal é um instrumento valioso que o governo disponibiliza para a manutenção da ordem e para a proteção do Estado."
Bom, com isso, nós (candidatos) agora temos mais parâmetros para direcionarmos nossas redações. Treinem, treinem bastante, pois saber escrever bem, além de ser fundamental para a vida diária, é um dos momentos mais delicados da prava teórica. Sendo assim, pratiquem.

Fica aqui registrado meu enorme agradecimento a Gabriela e ao Walter pela colaboração! Boa sorte nas próximas etapas, estou na torcida!

Bons estudos e 
Rumo à Polícia Federal!

domingo, 1 de julho de 2012

Redação

Olá amigos.

Primeiramente, gostaria de agradecer a todos pelas mensagens carinhosas de apoio. Muito obrigado! Fiquei feliz e me senti muito querido em nossa pequena "comunidade" de futuros policiais. Fiquei lisonjeado pelo carinho e atenção de todos, então muito obrigado!

Em segundo, este post é uma resposta a muita, MUITA, gente que me mandou e-mail (e ainda manda) pedindo a minha redação. Entendo que, realmente, faltam exemplos de redações na net e por isso o nervosismo e ansiedade da galera está a flor da pele. Por isso, ao invés de responder os e-mails individualmente como vinha fazendo (e que me ocupava muito tempo), resolvi disponibilizar aqui no blog o texto INTEGRAL da minha redação (até com as rasuras).

Primeiro, a proposta da prova discursiva (com destaques que fiz durante a leitura):

"O Departamento de Polícia Civil do Estado de São Paulo vem investigando os crimes cometidos por três pessoas, maiores e capazes, que atuam no roubo de cargas transportadas em operações interestaduais nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As empresas transportadoras afetadas pela ação dos criminosos são totalmente privadas, ou seja, não possuem participação financeira de nenhum ente da Federação, não havendo, portanto, em decorrência desses delitos, prejuízo patrimonial direto à União. Em operação destinada a prender em flagrante os criminosos, apenas um deles foi preso. No momento da prisão, ele ofereceu, ao chefe da equipe policial, cem mil reais para que fosse informalmente liberado. A proposta não foi aceita, e a prisão do criminoso foi efetuada, de acordo com as formalidades legais."
Com base na situação hipotética apresentada, redija um texto dissertativo que responda necessariamente e de maneira fundamentada aos seguintes questionamentos.
  • Havendo necessidade de repressão uniforme dos crimes acima mencionados, poderá o Departamento de Polícia Federal investigar os delitos contra o patrimônio (roubos)?
  • Na situação considerada, a proposta feita pelo criminoso ao chefe da equipe policial configurou crime contra a administração pública? Em caso afirmativo, especifique o delito.

A prova discursiva foi uma surpresa bastante desagradável para mim. Uma das coisas que eu me garantia era produção de textos (coisa em que este blog me ajudou muito), e treinei bastantes redações, apesar de assumir não ser muito bom em Português. Mas quando me deparei com a prova, fiquei aturdido, por nunca ter feito uma redação naquele modelo antes. Acredito que essa também foi a surpresa de mundo. No entanto, tentando manter a cabeça fria e no lugar, me recompus e partir para o ataque. Optei então por responder as duas questões apresentadas, mas em um texto dissertativo, onde ressaltaria as atribuições da PF, respaldado na Lei 11.446 e no texto constitucional (para a primeira) e no conhecimento que tinha do Código Penal para o crime  apresentado (que sabia ser corrupção ativa).

Segue abaixo o texto da redação (não apresento a imagem disponibilizada pelo CESPE pois minha caligrafia está péssima, pela pressa e nervosismo. Luka fala que parecem hieroglifos... rsrs).

"Dentre as atribuições elencadas à Polícia Federal no texto constitucional, inclui-se, dentre outras, a atuação em face a crimes de repercussão interestadual, bem como os que exijam repressão uniforme. Com o advento da Lei 11.446, que disciplina tais delitos, a Polícia Federal ganhou certa discricionariedade, uma vez que o rol de crimes trazidos não é taxativo. Sendo assim, o Departamento passou a ter respaldo de, autorizado devidamente, atuar face a diversos crimes, como os lesivos ao patrimônio.
                 No caso em tela, não se faz tão necessária interpretação legal para compreender a a necessidade de atual da polícia Federal. Apesar de não atingir diretamente os bens, serviços e interesses da União, o fato de ter repercussão interestadual e exigir repressão uniforme, bem como a atuação lesiva da citada quadrilha, já demonstra a possibilidade de atuação do Departamento. Desta forma, ainda que não restem afetados os patrimônios das entidades públicas, a supremacia do interesse público bastaria para autorizar e justificar a atuação da Polícia Federal. 
                 Não obstante, a conduta dos criminosos na situação exposta é ainda mais lesiva, juridicamente. Ao oferecer vantagem econômica à polícia, o criminoso autuado em flagrante cometeu o crime contra a Administração Pública denomiado corrupção ativa. Neste crime, o agente oferta à autoridade pública uma vantagem pecuniária a fim de que este deixe de realizar ato de ofício (no caso, o flagrante). Se o aceita-se, a autoridade ainda incorreria também em crime contra a Administração, além de cometer falta grave, [administrativa e moral] atentatória contra a moral pública.  Apesar de o caso apresentar a polícia civil de São Paulo, o resultado jurídico seria o mesmo, xxxxx a atuação da Polícia Federal. No entanto, observando a lei e a moralidade administrativa, a conduta do chefe da equipe policial foi [impecável] exemplar.
                 Sendo assim, observa-se no caso apresentado uma série de questões referente a atuação policial. Em [face] vista da conduta dos agentes criminosos, na forma de quadrilha atuante no roubo de cargas em operações interestaduais, constata-se a possibilidade de atuaçãod a Polícia Federal. Ainda que não atente-se diretamente a Administração Pública, pelo fato de o objetivo material ser composto de interesses privados, o caráter urgente na necessidade de repressão autoriza a participação do Departamento.
                 Afora isto, os criminosos do caso observado efetivamente lesionava a moral pública ao praticar o crime de corrupção ativa, ao tentar subornar autoridade pública. Desta forma, responderá por dois crimes distintos e a moral [pública] e interesse coletivo permanece resguardado."

Como puderam ver, respondi as duas perguntas dentro de um texto dissertativo. Com essa redação, consegui tirar uma nota de 10.50, que não foi grande coisa, mas me ajudou a ficar melhor colocado na lista preliminar não-oficial de classificados. Espero que seja de serventia para vocês.

Se tiver algum candidato que tenha ficado entre os 1.500 primeiros, que teve a redação corrigida e quiser compartilhá-la conosco, basta mandar para o meu e-mail (eduardo_costa134@yahoo.com.br). Será de grande ajuda para os demais candidatos!


Um forte abraço!
Rumo à Polícia Federal!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Um tropeço e voltando a caminhar.


É, não deu dessa vez.

Fiquei triste, me descabelei, mas me recompus. Eu estava consciente de que isso poderia acontecer e, infelizmente, aconteceu. Além do mais, não é o fim: só o começo de uma nova fase da minha jornada. Passei, então, o restante do domingo refletindo sobre o que aconteceu ali e chegando a algumas conclusões.

A preparação é sempre, seja para o que for, um processo de maturação, de transformação pessoal. Psicológica, comportamental, intelectual ou física, é necessário que alcancemos relativo grau de maturidade em relação a esses aspectos, de forma a alcançar plenamente nossos objetivos. Da mesma forma que não ser aprovado no TAF demonstra que minha preparação foi falha em alguns aspectos e que não estava fisicamente maduro o suficiente para me tornar Agente neste momento, outros poderão estar no auge físico, mas não possuem a maturidade psicológica para um cargo desse nível ainda.

A partir dessa perspectiva, é possível então olhar um eventual "insucesso" sob um novo prisma. Quando dizemos que "as coisas acontecem no tempo certo", não estamos nos referindo necessariamente a algo sobrenatural, à vontade de Deus ou coisa assim (embora eu acredite nisso também, ainda que parcialmente). Estamos constatando um fato: de que, por hora, não estamos prontos para o lidar com os prós e contras da realização de nossos sonhos.

Ser policial, especificamente, é algo que exige o melhor do melhor. É a pessoa que lida diretamente, todos os dias e a todo o momento, com o que há de mais precioso: a vida, o bem estar e a segurança da sociedade. Sendo assim, para tomar posse num cargo de tamanha responsabilidade, é preciso, de fato, que se esteja "pronto", no sentido mais completo da palavra. Isso, no entanto, não é algo espontâneo: é algo a ser desenvolvido, amadurado. Estar apto - física, psicológica e intelectualmente - não o resultado de anos de estudo e treino, mas um processo interior muito mais complexo. A preparação propriamente dita, com treinos e estudos, é só o meio. O que acontece conosco em nosso íntimo nesse meio tempo é o que realmente importa.

Vi candidatos MUITO bem preparados, e fiquei orgulhoso por estes que, como eu, ralaram muito para estar ali naquele dia. O espírito de corpo também me surpreendeu: apesar da minha ansiedade e instrospecção, falei com vários, desejei sorte, e torcíamos uns pelos outros. Na minha bateria, ao menos, parecia haver consenso do que sempre venho dizendo aqui: não concorremos uns com os outros, mas com nós mesmos.

Claro, também não vou negar que fiquei triste. Mas fiquei contente e agradeci a Deus a oportunidade de chegar até onde cheguei. Vou para o próximo concurso com uma bagagem muito maior, com uma experiência e conhecimento de causa que muitos não terão.

A jornada não acaba aqui. Foi apenas um capítulo do livro da minha vida que foi concluído, mas o livro ainda não terminou. Agora é recomeçar (nunca do zero, pois já sabemos muito), voltar aos estudos, treinar mais e melhor, e continuar a perseguir o sonho a que me propus realizar.

Agradeço a todos, leitores e amigos, por todo o apoio até aqui. Continuem de olho no blog, pois a tendência é melhorar... rsrs.

Forte abraço a todos.

Eduardo Costa.

terça-feira, 19 de junho de 2012

O melhor momento...



Me questionaram ultimamente qual é o melhor momento do treinamento para mim. Alguns que estavam perto brincaram dizendo que "é quando o treinador diz: 'Estão liberados'"... rsrs. Outros, mais vibrantes, disseram que é quando nos alongamos para começar, pois gostam de treinar.

Eu, no entanto, me peguei refletindo. Mas logo tive a certeza: o melhor momento, para mim, é quando caminho até o ponto de ônibus, após o treino. Estranho, né? Mas explico: acontece que, naquele momento, estou agradecendo a Deus a força que me deu para terminar mais um treino, estou implorando consolo Dele se não alcanço alguma meta, converso comigo mesmo sobre o que poderia ter feito de diferente, etc. Enfim, é o momento em que volto para casa com a sensação de "dever cumprido", de ter feito o melhor, de ter me esforçado pelo meu sonho.

Faltam alguns poucos dias para o TAF. Imagino como estejam os outros candidatos: alguns com excelentes índices, outros nem tanto. Alguns já pensando em desistir, e outros que se recusam terminantemente a fazê-lo. Eu sigo a maré: não estou tão bem quanto poderia (e deveria) estar, mas não me entrego. Vou lá, vou fazer o meu melhor, e o que tiver de ser, será. Parece simplista, como diria meu amigo Tiago Rafael, mas é a verdade. Não crio grandes expectativas, mas de forma alguma vou desistir ou me dar por vencido.

Enquanto isso, volto dos treinos refletindo. Novamente, agradecendo a Deus, conversando comigo mesmo e  me cobro um pouquinho mais, no que couber. O melhor momento é esse: voltar para casa tendo a certeza que deu tudo de si.

Rumo à Polícia Federal!